Paulo Venturelli

Paulo Venturelli nasceu em Brusque (SC), em 17 de dezembro de 1950. Doutor em Literatura Brasileira pela USP, foi professor da UFPR. Desde 1974 vive em Curitiba. Bacharel em Letras pela UFPR, foi professor de Língua Portuguesa no Colégio Sion e no Colégio Medianeira, época em que aboliu o ensino da gramática formal, centrando a natureza das avaliações na leitura de textos. Estreou na literatura em 1976 com os poemas de Asilo de Surdos, livro da geração mimeógrafo em parceria com Arnaldo César Machado, Edgar Yamaguami e Zeca Cor¬reia Leite. Publicou também na Sala 17 (1978) e Sangra: Cio (1980), antologias poéticas com integrantes do Movimento Sala 17; Admirável Ovo Novo (1993), literatura infantil; O Anjo Rouco (1994), novela juvenil ; Helena Kolody (1995), estudo crítico; Introdução à Arte de Ser Menino (1996), poesia, Prêmio Cruz e Sousa da Funda¬ção Catarinense de Cultura; Paisagem com Menino e Cachorro (1997), novela juvenil; Composições para meus Amigos (1997), poemas em prosa, contos; Paraná – Terra de Encontros (1998), reportagem poético-turística; A Casa do Dilúvio (1998), literatura in¬fantil; No Vale dos Sentidos (1999), romance juvenil; Espelho Espelho (2000), literatura infantil; Introdução à Arte De Ser Menino (2000), edição revista; A Morte (2006), po¬emas em prosa; Fantasmas De Caligem (2006), contos. Participação em obra coletiva: Diálogos com Bakhtin (2001) com o ensaio Deus e o Diabo no Corpo dos Meninos – Sexualidade, Ideologia e Literatura: Diálogos. Adaptações para teatro: Werther, de Goethe; Satyricon, de Petrônio; Uma Estação no Inferno, Vida e Obra de Rimbaud; Uma Aprendizagem do Prazer, do romance Uma aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector; Caos Leminski, vida e obra de Leminski; e Yerma, de Federico Garcia Lorca. Pela Kafka Edições publicou Meu Pai (2012), romance e His¬tórias sem Fôlego (2012), contos. Foi eleito para a APL em 2012.

Livros do autor

Que farei quando a noite chegar?

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“Ele quer saber: por onde está indo? Por que embarcou no trem? Um esforço de resposta torna mais exasperante sua inquietação. O desassossego do rasgo definitivo confirma as costelas contra o coração ou vice-versa. O coração cravejado de palha, de cabras em colinas do Nordeste, dos leitos secos de rios do Sul. Sou o lúmpen mais trivial de Eros, sou a seta quebrada de Eros e corrói-me a biologia do silêncio trançado em névoa e umidade, neste fim de tarde em que os índices fragmentados não suportam a luz dos postes. Se o mundo era amplo, agora tem a dimensão de areia entre um trilho e outro, onde ele se habita como alguém que não espera mais transição. O abismo cresceu como serpente a procurar a alimentação nos olhos do homem dentro do trem estacionado.”