A literatura é tão dramática quanto a vida. É soturna, sombria e densa, e por isso nos identificamos. É claro que se nos deparamos com um trabalho literário de verdade, que mexe com a psique humana, e os caminhos diversos da linguagem apontam, acusadores, suas garras insondáveis, somos atingidos em cheio.
O novo livro de Paulo Venturelli explora essas questões limítrofes bastante íntimas, tanto que já em seu título, o autor lança um questionamento: Que farei quando a noite chegar? É um pedido desesperado de socorro, pois o ser humano está sozinho, e isso perpassa todos os contos do livro como um leimotiv. Venturelli explora aquilo que não é visto, que não é notado, mas está à espreita, e o leitor sofre junto.
Já virou clichê falar sobre maturidade literária; afinal, o que é isso? Venturelli, nestas narrativas densas, nos brinda com um minucioso labirinto estilístico de alto nível em que o leitor, sempre atento, sem o fio de Ariadne, não sairá incólume.
Daniel Osiecki
